Chegou 2026!
Todos os anos,
juntamente com as doze passas e a taça de espumante, definem-se resoluções:
desta é que vai ser!
Promete-se mais
exercício, mais compromisso, melhor desempenho. Por norma são tão desejáveis
quanto irrealistas. Não surpreende por isso que, quando chega fevereiro,
grande parte seja já abandonada.
Raramente se pergunta: de onde vêm estas resoluções? São desejos genuínos ou tentativas apressadas de reparar uma sensação de insuficiência? São escolhas conscientes ou exigências herdadas do ritmo social, das redes, da narrativa contemporânea de que parar é falhar?
As resoluções de
Ano Novo frequentemente emergem de um lugar pouco falado: uma espécie de insatisfação
silenciosa. Não porque se seja incapaz ou não se tenha recursos, mas porque se
criou o hábito de medir valor pessoal em produtividade, constância e resultados
observáveis. Assim, o novo ano transforma-se facilmente numa lista de
obrigações emocionais, muitas vezes confundidas com motivação.
Promete-se mais
para fora do que para dentro, promete-se mais para corresponder do que por fazer sentido.
Promete-se demais.
Talvez por isso tantas resoluções falhem. Não por falta de força de vontade, mas por excesso de pressão e de autoexigência. Metas formuladas a partir da necessidade de cumprir expectativas externas, tendem a reforçar ciclos de frustração e culpa, em vez de promover mudança sustentada.
E se, este ano,
a pergunta fosse outra?
Resolver não tem
de significar endurecer. Em muitos casos, resolver implica abrandar. É substituir
metas grandiosas por intenções realistas e reguladoras. É permitir que o ano
comece sem urgência, sem prova, sem espetáculo.
Talvez a
resolução mais difícil e ao mesmo tempo, mais transformadora seja:
ser-se brando.



