02 janeiro 2026

resoluções ou a arte de resolver

 Chegou 2026!

Todos os anos, juntamente com as doze passas e a taça de espumante, definem-se resoluções: desta é que vai ser!

Promete-se mais exercício, mais compromisso, melhor desempenho. Por norma são tão desejáveis quanto irrealistas. Não surpreende por isso que, quando chega fevereiro, grande parte seja já abandonada.

Raramente se pergunta: de onde vêm estas resoluções? São desejos genuínos ou tentativas apressadas de reparar uma sensação de insuficiência? São escolhas conscientes ou exigências herdadas do ritmo social, das redes, da narrativa contemporânea de que parar é falhar?

As resoluções de Ano Novo frequentemente emergem de um lugar pouco falado: uma espécie de insatisfação silenciosa. Não porque se seja incapaz ou não se tenha recursos, mas porque se criou o hábito de medir valor pessoal em produtividade, constância e resultados observáveis. Assim, o novo ano transforma-se facilmente numa lista de obrigações emocionais, muitas vezes confundidas com motivação.

Promete-se mais para fora do que para dentro, promete-se mais para corresponder do que por fazer sentido. Promete-se demais.

Talvez por isso tantas resoluções falhem. Não por falta de força de vontade, mas por excesso de pressão e de autoexigência. Metas formuladas a partir da necessidade de cumprir expectativas externas, tendem a reforçar ciclos de frustração e culpa, em vez de promover mudança sustentada.

E se, este ano, a pergunta fosse outra?

Resolver não tem de significar endurecer. Em muitos casos, resolver implica abrandar. É substituir metas grandiosas por intenções realistas e reguladoras. É permitir que o ano comece sem urgência, sem prova, sem espetáculo.

Talvez a resolução mais difícil e ao mesmo tempo, mais transformadora seja:
ser-se brando.

Que 2026 não seja apenas mais um ano de resoluções, antes seja um ano de resolver.

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