01 de junho era o terceiro melhor dia do ano! O primeiro era o dos meus anos, depois o natal e o pódio fechava com o dia da criança.
Havia escola de certeza, garantidamente não havia presentes, talvez uns elásticos ou uma fita para o cabelo. Na escola havia gelado e à noite a diversão estava garantida: feira popular. Eu, a Marta e a Inês já sabíamos o que nos esperava...
A carrinha levava-nos a casa, trocavamos de roupa, traziamos as nossas carteirinhas e lá iamos com os nossos pais.
Jantávamos frango assado na feira, eles os quatro ficavam na conversa, davam-nos 100 escudos a cada um e a festa fazia-se, nós as três e o meu irmão que por ser mais novo não tinha muita opção para se opôr - casa assombrada, carrinhos de choque, a lagarta, carroceis de todas as formas e feitios, nada nos escapava!
Os 100 escudos esticavam. Fazíamos contas, escolhíamos cuidadosamente em que gastar cada moeda e, por umas horas, sentíamo-nos donas do mundo. Quando o orçamento ficava curto, o mais novo com as suas sardas usava o seu charme para mais uns trocos, nada muito exagerado.
Lembro-me das luzes. Das músicas que se ouviam de todos os lados ao mesmo tempo. Do cheiro a algodão-doce misturado com farturas. Da emoção de entrar ali e sentir que tudo podia acontecer. Eramos felizes e sabiamos!
Hoje, olhando para trás, percebo que o Dia da Criança não era especial por causa dos gelados, dos carrosséis ou dos 100 escudos.
Era especial porque naquele dia nos sentíamos importantes.
Havia tempo para brincar. Havia tempo para estar. Havia adultos que, mesmo sem grandes discursos sobre parentalidade, nos ofereciam aquilo de que todas as crianças precisam: atenção, liberdade para explorar e a certeza de que alguém estava por perto.
Não um dia cheio de presentes.
Mas uma infância cheia de memórias.
