Cada uma das pessoas que se dispõe a confiar em mim é uma responsabilidade e fica comigo para sempre!
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04 setembro 2025
É Dia Nacional do Psicólogo
03 setembro 2025
Regressos
regressos
A forma regressos é [masculino
plural de regresso]. Origem: latim progressus, -us.
Regresso |é|
(re·gres·so)
nome masculino
1. Acto de regressar. = RETORNO
2. Volta. ≠ IDA
3. Recurso contra alguém.
"regressos", in Dicionário Priberam da Língua
Portuguesa [em linha], 2008-2025, https://dicionario.priberam.org/regressos.
Setembro é o mês dos
regressos. Regresso ao trabalho. Regresso à escola. Regresso ao trânsito.
Regresso à ditadura do relógio com horas para quase tudo. É o regresso à
rotina.
Mesmo para quem não deixou
as férias, setembro sabe a começo. Até para quem não esteve de férias, setembro
cheira a início.
Setembro tem gosto de
excitação de volta a fazer tudo melhor. Não sinto o mesmo com janeiro.
Esta possibilidade que
setembro oferece de recomeçar devia ser mais valorizada. É extraordinário a
sensação de regressar. Baterias carregadas para voltar ao mesmo sítio ou a
outro novo, a novos ou aos mesmos de sempre.
Setembro devia ser o mês 1
do calendário.
Devia ser o mês das
resoluções e das listas de coisas a concretizar. Devia e pode!
É melhor ter um plano do que
navegar à vista.
Regressar à rotina é uma
altura mesmo boa para definir prioridades pessoais e profissionais, para
estipular metas e escolher objetivos. É uma altura excelente para fazer
escolhas e desenhar o mapa para enfrentar os medos e valorizar o capital
interno.
Que desafio é recomeçar!
Que alegria pode ser
recomeçar!
28 abril 2025
entre o medo e a esperança
Ano 2025
Semana 17/52Terça-feira, 10h30 é hora de começar a trabalhar.
Antes, houve tempo para o ginásio e um café
com vista de mar – pequenos prazeres para iniciar o dia.
Eugénia, 33 anos faz um pedido de marcação.
Falamos ao telefone, acha que precisa de ajuda;
não se sente bem, anda inquieta, mas… logo a seguir hesita: “se calhar, não é
nada”.
Sinto-a a oscilar entre o estigma e a
curiosidade. O medo de ser
"fraca" e a esperança de finalmente ser escutada. Não tem qualquer
ideia sobre o que acontece numa sessão de acompanhamento psicológico e ainda
menos na primeira.
Este medo do desconhecido é natural. Quando
alguém procura apoio psicológico pela primeira vez, raramente sabe o que
esperar. Imagina perguntas difíceis, silêncios constrangedores, diagnósticos
que talvez não esteja preparado para ouvir.
A verdade é que a primeira sessão é, acima
de tudo, um encontro.
Um espaço seguro onde uma estória começa a ser contada — sem pressa, sem
obrigação de ter todas as respostas, sem necessidade de saber por onde começar.
Durante essa primeira sessão, conhecemo-nos.
Conversamos sobre o que trouxe o paciente até cá, o que o inquieta, o que deseja transformar.
Definimos juntos
vários aspetos importantes: a duração e a periodicidade das sessões, e é pensado pelo psicólogo uma primeira hipótese terapêutica — uma bússola inicial para o
caminho que se vai traçar.
Em média, cada sessão tem a duração de 45 minutos — o tempo ideal para manter o foco e permitir um trabalho profundo, sem ser exaustivo.
A periodicidade recomendada é semanal. É entre uma sessão e outra que acontece
o processo mais silencioso e poderoso da mudança: o momento em que o psicólogo
passa como que a habitar na cabeça do paciente. Quanto maior for o intervalo
entre sessões, mais diluído se torna esse trabalho interno.
A primeira sessão não resolve tudo. Mas é onde algo muda: o
silêncio começa a ter voz, o medo encontra espaço para ser olhado e a
esperança, timidamente, acorda.
A Eugénia começará o seu trabalho terapêutico a 05 maio.
17 abril 2025
a maior dificuldade não é marcar. é aparecer.
Ano 2025
Semana 16/52
A semana prevê-se curta, tem feriado na
sexta que para muitos começa logo na quinta, depois do almoço. Aproveitando as
férias escolares, eu estou fora. Organizei a agenda para trabalhar segunda e
quarta.
Contra todas as expectativas, no final da
manhã de segunda… zás! Assim num tirinho surgem três marcações na agenda
digital! É impossível não sorrir quando isto acontece. É que não é uma, nem
duas, são três. Fantástico! Único senão: são justamente para os dias em que não
trabalho. Num ápice, organizo tudo e confirmo as marcações para terça-feira.
Porque sim - é difícil resistir a esse
entusiasmo de quem decide cuidar de si.
O curioso vem depois. Na terça-feira, pelas
9h, lá estava eu pronta para uma nova viagem, um novo processo de
autoconhecimento e… nada. Aguardo. E mais um pouco. Dez minutos depois da hora
agendada mando uma mensagem. Como resposta: o silêncio.
Do lado de cá, a frustração ganha forma.
Organizei tudo, mexi horários, revi o plano da semana. Escolheu-me - mas afinal,
foi engano?
Paro. Respiro fundo. Porque eu sei como
funciona.
Eu sei que, para muitos, a maior dificuldade
não é marcar. É aparecer. É permitir-se ser visto, ouvido, acolhido — e,
às vezes, até confrontado com o que sente. Isso assusta. Assusta muito.
A ciência psicológica ajuda-nos a
compreender esta dificuldade.
Entre o impulso de marcar e a decisão de comparecer, o cérebro atravessa uma
tensão interna conhecida como dissonância cognitiva — um desconforto que surge
quando os desejos entram em conflito com os medos.
Ao marcar uma consulta, existe o desejo de
mudança. Mas, ao mesmo tempo, surgem pensamentos que desafiam esse impulso: “E
se não souber o que dizer?”, “E se me descontrolo?”, “E se me julgarem?”
Estes pensamentos são formas de resistência
psíquica, mecanismos inconscientes de defesa que o ego utiliza para evitar o
contacto com conteúdos internos dolorosos.
Além disso, o próprio cérebro — especialmente o sistema límbico, que gere as
emoções e o medo — pode reagir à ideia de exposição emocional como se fosse uma
ameaça real, levando ao evitamento.
Marcar é racional. Ir é emocional. E
nem sempre as duas partes da mente caminham ao mesmo ritmo.
Marcar, muitas vezes é um impulso — aquele
momento em que algo dentro de nós diz: “Chega. Preciso de ajuda.”
Aparecer... aparecer é muito mais que isso.
É reconhecer que se está em sofrimento. É admitir, nem que seja em silêncio,
que não se consegue sozinho. E isso, chega a pesar mais do que qualquer
sintoma.
E a vergonha? Essa safada…
E depois há o medo de ser fraco, de parecer
perdido, de não saber explicar o que se sente.
Instala-se a dúvida… entre cuidar-se ou calar-se. Entre dar o passo ou
voltar atrás. Entre ir ou não ir.
Como psicóloga, tenho constatado que não é sobre insistir. É sobre esperar com escuta.
Às vezes voltam. Às vezes não. Mas cada marcação é já um ato de coragem. Mesmo
quando não dá para aparecer.
Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É sinal
de querer encontrar o caminho.
E se não for hoje, não tem problema. Quando for, cá estarei.
05 junho 2024
Vou. Não Vou.
Vou. Não vou. Preciso. Não preciso. Vou. Não vou.
Vou. Não vou. Preciso. Não preciso. Vou. Não vou.
A dúvida instala-se e alimenta-se da vergonha de parecer fraco, do rótulo de se ser maluco quando afinal até nem se está assim tão mal da cabeça. Nela (na cabeça) ecoa: "eu consigo"; "eu sou forte"; "psicólogos são para malucos ou então para os fracos que não conseguem tomar conta de si".
Vou. Não vou. Preciso. Não Preciso. Vou. Não vou.
Vou. Não vou. Preciso. Não preciso. Vou. Não vou.
Derrubado o muro, abre-se todo um mundo de novas oportunidades. Escolhido o Psicólogo, começa a viagem!
Durante o processo terapêutico a transformação é lenta e subtil. De dentro para fora. E é mesmo assim que deve ser.



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