11 setembro 2026

uma escola que os pode levar mais longe


Um novo ano.

Começa um novo ano letivo. Cadernos novos, horários novos, professores novos para alguns, escolas novas para outros. É aquele frenesim que setembro traz todos os anos.

Este ano começa acompanhado de uma fotografia que merece atenção: os resultados do PISA 2025.

Em Portugal, 6.945 alunos de 15 anos, de 225 escolas, participaram nesta avaliação internacional. E os resultados contam-nos alguma coisa sobre a escola a que os alunos estão a regressar.

Em 2025, Portugal continua próximo da média da OCDE em Ciências, Matemática e Leitura. Mas, quando em vez da fotografia olhamos para o filme, a história é diferente: os resultados desceram em Matemática e Leitura desde 2022 e, nas três áreas, estamos agora próximos dos níveis registados em 2006. Os ganhos conseguidos entretanto perderam-se.

Um novo ano. Velhos desafios.

Milhares de alunos.

Dizer “os alunos portugueses” é cómodo. Mas os alunos portugueses não são todos iguais.

Aos 15 anos, 35% não atingem o nível mínimo de proficiência em Matemática, 28% em Leitura e 24% em Ciências. E, simultaneamente, há jovens que atingem níveis elevados de desempenho. Para além disto, e bem interessante é o facto de 77% dizerem ser curiosos acerca de muitas coisas. 69% dizerem fazer um esforço adicional quando o trabalho se torna difícil. 67% acreditarem que a inteligência pode desenvolver-se através do trabalho, do esforço e do feedback.

Por detrás das médias e das percentagens estão milhares de adolescentes. Com diferentes capacidades, motivações, expectativas, dificuldades e histórias.

Milhares de caminhos.

Caminhos esses que não começam todos no mesmo lugar.

Em Portugal, os 25% de alunos socioeconomicamente mais favorecidos obtiveram, em Ciências, mais 92 pontos do que os 25% mais desfavorecidos.

Apenas 11% dos jovens pertencentes ao grupo socioeconomicamente desfavorecido conseguiram chegar ao grupo dos 25% com melhor desempenho em Ciências.

Talvez este seja um dos dados sobre os quais mais vale a pena parar.

Porque gostamos de pensar na escola como elevador social. Como o lugar onde o ponto de partida deixa de determinar o ponto de chegada.

Os dados lembram-nos que o ponto de partida continua a pesar no caminho.

E uma escola que os pode levar mais longe.

Mais longe não pode significar apenas obter melhores resultados num teste internacional.

O próprio PISA mostra jovens que procuram ajuda, que estabelecem objetivos, que perseveram perante dificuldades, que se sentem apoiados — ou não — por professores e famílias, que convivem diariamente com dispositivos digitais e que já incorporaram a Inteligência Artificial na forma como estudam e aprendem.

É motivo de esperança constatar que os alunos portugueses que atribuem maior valor à escola apresentam melhores resultados. Os que discordam da ideia de que a escola é uma perda de tempo obtêm, em média, mais 34 pontos em Ciências do que aqueles que sentem que estão a perder tempo na escola, depois de considerado o perfil socioeconómico.

Talvez, então, levar mais longe comece também por conseguir que um jovem perceba que vale a pena fazer o caminho.

Começa 2026/2027.

Milhares de alunos chegarão às escolas. Cada um a partir de um lugar diferente. Cada um com capacidades, dificuldades, expectativas e possibilidades diferentes. Cada um a fazer um caminho que será necessariamente único.

A escola não pode decidir onde cada um vai chegar.

A escola pode e deve criar condições para que o ponto de partida não determine até onde é possível ir.

Bom ano letivo.

uma escola que os pode levar mais longe