23 junho 2026

pozinhos de perlim, pim, pim...

Foi em 2017, mas lembro-me como se fosse hoje.

Um pequeno de 6 anos ia perder a sua mãe.

Escreveu-lhe uma carta, fez-lhe um desenho estupendo e colocou tudo num envelope cuidadosamente decorado. Tudo era a cara da sua mãe, menos aquela partida anunciada.

Aos 6 anos é difícil conceber que o nosso mundo, tal como o conhecemos, vai ruir.

Conversámos várias vezes. Todas conversas boas. Todas conversas difíceis.

Dessas conversas nasceu "Uma Escadinha até ao Céu".

Escrevi esta história de um fôlego só, num caderno quadriculado. Gosto de escrever em folhas aos quadrados; impõem limites.

Guardei-a.

Disse de mim para mim, muitas vezes, que um dia a publicaria.

Ao longo destes nove anos, muito mundo mudou.

O meu não foi diferente.

Em 2026, ganhei coragem e uma história num caderno aos quadrados transformou-se num livro.

Coincidência das coincidências, o livro foi publicado no mês de aniversário daquele pequeno. E, no mês em que a sua mãe faria anos, tive a grata oportunidade de realizar uma sessão de autógrafos na Feira do Livro de Lisboa.

Enquanto vivia aquela experiência incrível, pensei muitas vezes no caminho percorrido por esta "Escadinha".

Nem todas as histórias são de encantar. Esta, apesar de linda, não termina com um "felizes para sempre". E talvez seja precisamente por isso que faça sentido.

Ao longo dos anos, enquanto psicóloga, aprendi que o luto não é uma doença para a qual exista cura nem um problema que possa ser resolvido. É um processo de adaptação a uma ausência significativa.

Quando falamos de crianças, esta ideia torna-se ainda mais importante.

Muitas vezes os adultos acreditam que para as crianças o melhor é serem afastadas da morte, para que não sofram. A realidade é mais complexa. As crianças compreendem a perda de forma diferente, regressam a ela em momentos distintos do desenvolvimento e, muitas vezes, elaboram-na aos poucos, à medida que vão adquirindo recursos para lhe atribuir significado.

O objetivo nunca é esquecer quem morreu. Não é deixar de sentir saudades. Não é apagar a dor.

O objetivo é conseguir continuar a viver, integrando a ausência de alguém que continua a ocupar um lugar importante na nossa história.

E foi por isso que a sessão de autógrafos teve um significado tão especial para mim. Porque me permitiu ver uma história que começou numa conversa difícil encontrar novos leitores, novas famílias e, espero, novas formas de falar sobre temas que tantas vezes evitamos.

Pozinhos de perlim pim pim...

Não.

Esta história também não chegou ao fim.

P.S.

Preciso mesmo de agradecer a todos os que estiveram presentes na Feira do Livro de Lisboa.

Aos que passaram para dar um abraço, aos que levaram um exemplar para casa e aos que fizeram questão de partilhar aquele momento comigo.

Fizeram-me sentir verdadeiramente importante.

E isso é algo que dificilmente esquecerei.


13 junho 2026

pelos vistos

Há um ditado antigo, cuja origem desconheço, que diz que, para deixar uma marca no mundo, devemos plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.

No 7.º ano, plantei uma árvore. A escola era a estrear e, no dia 21 de março, Dia da Árvore, todas as turmas saíram das salas para ajudar a dar vida aos canteiros. Cada um de nós plantou qualquer coisa. Eu também. Assim, plantar uma árvore ✅

Mais à frente também cumpri a parte do filho. Acabei por ter dois, mas creio que o ditado não se importará com o excesso de zelo. Por isso, filho ✅.

Há uns anos escrevi uma história; ela é minha, mas o livro não. Agora, este é todo meu - da história ao livro - e a sensação é incrível! É todo meu: da primeira à última palavra; da ideia na minha cabeça às páginas que seguro na mão. 

Então, livro 

Missão cumprida!

Já seria suficientemente inacreditável abrir a Wook ou o site da Bertrand e encontrá-lo lá. Mas a verdade é que escrever um livro tem qualquer coisa de mágico. Durante muito tempo, esta história foi apenas minha: uma ideia, algumas palavras, páginas escritas e reescritas, personagens que ganharam forma e uma escadinha que existia apenas na minha cabeça. Aos poucos, tudo isso se transformou num livro que agora pode morar nas mãos de outras pessoas.

Escrever é uma aventura por si só. Escrever sobre temas difíceis é outra coisa. São temas de que precisamos de falar, mas que raramente escolhemos para uma história antes de dormir. Afinal, quem procura um livro sobre temas difíceis quando há tantos sobre princesas, dragões e unicórnios?

É, se calhar, por isso mesmo que vale a pena escrevê-los.

E, de repente, dou por mim a acrescentar mais uma linha a esta história: no domingo, dia 14, estarei na Feira do Livro de Lisboa para uma sessão de autógrafos. Escrito assim, continua a parecer-me uma frase improvável.

A miúda que plantou uma árvore no 7.º ano não fazia a menor ideia de que um dia haveria de cumprir este ditado.

11 junho 2026

é preciso levar o brincar muito a sério

Lembro-me bem de ser miúda e brincar aos escritórios. Bem... e de fazer de Maria de Deus — para isso bastava calçar os sapatos de salto largo da minha mãe - e transformar as escadas entre a porta da rua e a cozinha na carrinha verde conduzida pelo Sr. Manuel. Também fazia de Glorinha, a gerir as tropas entre o refeitório e o recreio, ou de Micanda, a dar aulas à 2.ª classe com uma mestria que eu julgava ancestral.

Quando brincava aos escritórios, os problemas dos clientes acumulavam-se na secretária da Maria Manuela. Era assim que me chamava. Estava a habituar-me ao meu futuro nome. Eu achava que, quando chegasse a crescida, teria de mudar de nome. É que não conhecia adulto nenhum que se chamasse como os meus colegas ou amigas! Tinha, por isso, decidido que, quando fosse crescida, passaria a chamar-me Maria Manuela e que toda a gente me trataria por Nela.

Brincar tinha tanto de extraordinário como de natural. Era natural o tédio. Era natural esperar. Era natural dividir. Extraordinário era imaginar o que isto ou aquilo poderia ser. Extraordinário era brincar uma e outra vez à mesma coisa, sem hora para acabar e acrescentando sempre mais vida ao dia anterior.

Brincava-se sozinho ou com os da mesma idade e isso era incrivelmente banal. Não havia datas para assinalar a importância do brincar, nem especialistas a explicar os seus benefícios. Brincava-se porque sim. E porque a infância, sem que ninguém lhe chamasse desenvolvimento emocional, fazia o seu trabalho. 

Nenhum adulto organizava a brincadeira. Nenhum adulto distribuía papéis. Dificilmente um adulto resolvia os conflitos. Se queríamos continuar a brincar, tínhamos de nos entender. Às vezes corria bem, outras vezes acabávamos amuados, mas no dia seguinte voltávamos a tentar.

Hoje penso muitas vezes que foi ali que aprendemos uma boa parte daquilo que mais tarde se pede aos adultos: esperar pela vez, lidar com a frustração, negociar, imaginar soluções, reparar zangas e encontrar um lugar no grupo. Mas, na altura, não achávamos que estivéssemos a aprender nada. Estávamos apenas a brincar.

Talvez seja precisamente essa a magia do brincar. Enquanto os pequenos acreditam que estão apenas a construir castelos, a dar aulas ou a tomar conta dos meninos da volta da carrinha verde entre a porta da rua e a cozinha, estão afinal a construir-se a si próprios.

É no brincar que os pequenos experimentam ser grandes quando ainda são pequenos. Que ensaiam papéis, inventam soluções, testam limites, aprendem a perder e a ganhar, a mandar e a obedecer, a ficarem sozinhos e a fazerem parte de um grupo.

O brincar deixa-nos mais do que aprendizagens. Deixa-nos também memórias.

Talvez porque, durante a infância, não exista grande diferença entre viver e aprender. Crescemos enquanto brincamos e, anos mais tarde, acabamos por guardar precisamente esses momentos.

Nenhuma destas memórias foi criada de propósito. Ninguém decidiu que aquele dia haveria de ficar guardado para sempre. Ninguém organizou uma experiência inesquecível. Na altura não eram memórias. Eram apenas dias.

Não porque aqueles dias fossem especiais, mas porque, estávamos inteiramente presentes neles. Não havia preocupação em guardar o momento. Estávamos apenas a vivê-lo.

Hoje parecemos viver um pouco obcecados com a ideia de criar memórias. Procuramos atividades especiais, experiências especiais, momentos especiais. Queremos garantir que as crianças guardam recordações felizes da infância.

Mas as memórias raramente obedecem a esse tipo de planeamento.

As minhas não nasceram de um dia extraordinário. Nasceram de uma sucessão de tardes aparentemente iguais. De brincadeiras repetidas. De pessoas que estavam lá. De tempo que não precisava de ser preenchido.

Talvez porque as memórias mais importantes não sejam aquelas que tentamos fabricar. Talvez sejam aquelas que surgem quando estamos demasiado ocupados a viver para nos preocuparmos em recordá-las.

Hoje existe um Dia Internacional do Brincar. E ainda bem que existe. Talvez porque, entretanto, tenhamos precisado de nos lembrar de uma coisa que antes parecia óbvia: as crianças não precisam que lhes fabriquemos memórias. Precisam de tempo para as viver.

E que, afinal brincar é um assunto muito sério.

01 junho 2026

o memorável dia da criança

01 de junho era o terceiro melhor dia do ano! O primeiro era o dos meus anos, depois o natal e o pódio fechava com o dia da criança.

Havia escola de certeza, garantidamente não havia presentes, talvez uns elásticos ou uma fita para o cabelo. Na escola havia gelado e à noite a diversão estava garantida: feira popular. Eu, a Marta e a Inês já sabíamos o que nos esperava...

A carrinha levava-nos a casa, trocavamos de roupa, traziamos as nossas carteirinhas e lá iamos com os nossos pais.

Jantávamos frango assado na feira, eles os quatro ficavam na conversa, davam-nos 100 escudos a cada um e a festa fazia-se, nós as três e o meu irmão que por ser mais novo não tinha muita opção para se opôr - casa assombrada, carrinhos de choque, a lagarta, carroceis de todas as formas e feitios, nada nos escapava!

Os 100 escudos esticavam. Fazíamos contas, escolhíamos cuidadosamente em que gastar cada moeda e, por umas horas, sentíamo-nos donas do mundo. Quando o orçamento ficava curto, o mais novo com as suas sardas usava o seu charme para mais uns trocos, nada muito exagerado.

Lembro-me das luzes. Das músicas que se ouviam de todos os lados ao mesmo tempo. Do cheiro a algodão-doce misturado com farturas. Da emoção de entrar ali e sentir que tudo podia acontecer. Eramos felizes e sabiamos!

Hoje, olhando para trás, percebo que o Dia da Criança não era especial por causa dos gelados, dos carrosséis ou dos 100 escudos.

Era especial porque naquele dia nos sentíamos importantes.

Havia tempo para brincar. Havia tempo para estar. Havia adultos que, mesmo sem grandes discursos sobre parentalidade, nos ofereciam aquilo de que todas as crianças precisam: atenção, liberdade para explorar e a certeza de que alguém estava por perto.

Talvez seja isso que continuo a desejar para
todas as crianças.

Não um dia cheio de presentes.

Mas uma infância cheia de memórias.


15 maio 2026

família: o primeiro mapa


Era 1993 e a ONU decidiu que 1994 seria o ano da FAMÍLIA.
Se bem pensou, melhor o fez e definiu que o dia 15 de maio passaria a celebrar esta unidade incrível a partir da qual tudo avança.

É a partir da família que nos construímos e desenhamos o mapa do nosso caminho.

Primeiro quase sem dar por isso. Nas rotinas repetidas, nas histórias contadas à mesa, nas expressões que copiamos, nos medos que herdamos e nas formas de amar que observamos.

A família é o primeiro lugar onde aprendemos quem somos. É o primeiro espelho, o primeiro porto de abrigo e, muitas vezes, o primeiro desafio.

Nem sempre, porém, é o lugar seguro que gostaríamos que fosse. Há famílias que acolhem e protegem, mas também há famílias que falham, que desiludem, que deixam marcas difíceis de compreender e ainda mais difíceis de ultrapassar. Há silêncios que magoam, ausências que pesam e palavras que permanecem muito depois de terem sido ditas.

E, ainda assim, mesmo quando é fonte de sofrimento, a família continua a ocupar um lugar central na história de cada pessoa. Não porque determine para sempre quem somos, mas porque é a partir dela que começamos a construir a nossa forma de estar no mundo — às vezes seguindo os seus exemplos, outras vezes procurando caminhos diferentes.

Mesmo quando a vida nos leva para longe, há qualquer coisa da família que continua a viajar connosco. Um gesto. Uma frase. Um valor. Uma memória. Uma forma particular de olhar o mundo.

Há quem celebre a família com gratidão e quem a recorde com saudade. Há também quem a viva com ambivalência, porque nem todas as famílias são lugar de abrigo. Algumas tornam-se fonte de desilusão, de conflito ou de dor.

Talvez uma das tarefas mais complexas da vida seja precisamente esta: encontrar uma forma de honrar a nossa história sem ficarmos prisioneiros dela. Reconhecer aquilo que recebemos, o que nos faltou e o que escolhemos fazer com tudo isso.

Talvez seja por isso que falar de família é falar de todos nós. Das nossas origens, das nossas ligações, das nossas feridas e dos nossos afetos. Das histórias que recebemos e das que escolhemos continuar a escrever.

14 maio 2026

era um Acontecimento, o DIA DA ESPIGA

Desde que me lembro de andar na escola, que havia uma certa quinta-feira cuja manhã era passada no campo a apanhar umas certas coisas, não se podia apanhar qualquer coisa. Havia preceito. Não podiam faltar papoilas (difíceis de manter), espigas, malmequeres, alfazema, flores campestres e umas plantas que tinham menos piada porque eram só folhas verdes. De tarde fazíamos pão sem fermento - ficava mesmo amoroso, pequenino e mais tarde impossível de comer de tão rijo - e juntávamos ao ramo para levar para casa, que ficava todo o ano pendurado na porta da cozinha.

Não tinha uma data definida, não era feriado, não costumava vir nas notícias, mas era um acontecimento. O dia da espiga era um acontecimento.

Entretanto cresci, mudei de escola e o acontecimento deixou de o ser. Achei estranho, mas não perguntei, avancei.


A dada altura, comecei a ver pessoas a venderem uns certos ramos na estação do comboio e em passeios estratégicos. Quando dei por mim, era uma certa quinta-feira. Esta visão levou-me lá atrás, aquele sítio que me tinha também construído.

Já adulta, a dona Olinda levou para minha casa um certo ramo, numa certa quinta-feira. Sorri com a cara toda. Já não me lembrava bem qual o significado de cada coisa, mas conhecia bem a sensação que se me atravessou. Sabia-o eu, e percebeu ela que, ao longo de catorze anos nunca falhou naquela certa quinta-feira - este ano não foi exceção - já não nos ajuda todas as semanas, mas não nos falha.

Só mais tarde percebi que o dia da espiga nunca foi apenas um ramo pendurado na porta da cozinha, nem uma bela desculpa para não ter aulas de português ou matemática. Era um ritual de continuidade. Uma daquelas pequenas tradições silenciosas que ajudam uma criança a sentir que pertence a um lugar, a um tempo e a uma história maior do que ela própria.

As tradições têm esta capacidade rara de transformar gestos simples em memória duradoura. Não se fixam apenas porque são repetidas, mas porque acontecem num contexto de vínculo, previsibilidade e significado partilhado. Muitos anos depois, podemos já não nos lembrar do significado exato de cada flor ou de cada espiga, mas o corpo reconhece imediatamente a sensação de familiaridade, segurança e pertença que lhes estava associada.

Os rituais e tradições funcionam frequentemente como marcadores identitários e afetivos. Ajudam a estruturar a memória autobiográfica, criam continuidade entre gerações e oferecem uma experiência de permanência simbólica. Talvez por isso certas imagens — um ramo na porta, o cheiro da alfazema ou um pequeno pão sem fermento — permaneçam muito para além da infância.

Mal posso esperar pela próxima certa quinta-feira.
Afinal, há tradições que nunca deixam verdadeiramente de morar em nós.

02 janeiro 2026

resoluções ou a arte de resolver

 Chegou 2026!

Todos os anos, juntamente com as doze passas e a taça de espumante, definem-se resoluções: desta é que vai ser!

Promete-se mais exercício, mais compromisso, melhor desempenho. Por norma são tão desejáveis quanto irrealistas. Não surpreende por isso que, quando chega fevereiro, grande parte seja já abandonada.

Raramente se pergunta: de onde vêm estas resoluções? São desejos genuínos ou tentativas apressadas de reparar uma sensação de insuficiência? São escolhas conscientes ou exigências herdadas do ritmo social, das redes, da narrativa contemporânea de que parar é falhar?

As resoluções de Ano Novo frequentemente emergem de um lugar pouco falado: uma espécie de insatisfação silenciosa. Não porque se seja incapaz ou não se tenha recursos, mas porque se criou o hábito de medir valor pessoal em produtividade, constância e resultados observáveis. Assim, o novo ano transforma-se facilmente numa lista de obrigações emocionais, muitas vezes confundidas com motivação.

Promete-se mais para fora do que para dentro, promete-se mais para corresponder do que por fazer sentido. Promete-se demais.

Talvez por isso tantas resoluções falhem. Não por falta de força de vontade, mas por excesso de pressão e de autoexigência. Metas formuladas a partir da necessidade de cumprir expectativas externas, tendem a reforçar ciclos de frustração e culpa, em vez de promover mudança sustentada.

E se, este ano, a pergunta fosse outra?

Resolver não tem de significar endurecer. Em muitos casos, resolver implica abrandar. É substituir metas grandiosas por intenções realistas e reguladoras. É permitir que o ano comece sem urgência, sem prova, sem espetáculo.

Talvez a resolução mais difícil e ao mesmo tempo, mais transformadora seja:
ser-se brando.

Que 2026 não seja apenas mais um ano de resoluções, antes seja um ano de resolver.

18 setembro 2025

sobre bullying

A escola acabou de começar. Ainda cheira a novidade e festa. A escola é um lugar complexo, onde cabem aprendizagens, descobertas, amizades e desafios. É exigente andar na escola, sempre foi e cada vez mais parece ser. Desde o primeiro dia, há a pressão de corresponder às expectativas dos professores, de conquistar o seu olhar de aprovação; e há também a necessidade de ser aceite pelos colegas. Às vezes parece que ser aceite é um sorteio, um golpe de sorte ou de azar. É aqui que, tantas vezes, entra o bullying.

Curiosamente, duas obras, aparentemente distantes — a série Invisible (Disney+) e o filme de animação Viver em Grande ( https://www.youtube.com/watch?v=0O5kqfC45Cc ) — trazem em comum um olhar sensível sobre o que significa não ser aceite, sentir-se excluído e lutar por um lugar no mundo. Ambas lembram que, muitas vezes, a maior batalha acontece dentro de nós, quando acreditamos que não pertencemos.

O bullying não é apenas um conjunto de provocações ou “brincadeiras sem maldade”. É sobretudo sobre medo. Um medo levado ao limite: intenso, avassalador, difícil até de pôr em palavras. É uma violência que mina a autoestima, corrói a confiança e deixa marcas profundas.


Em Invisible, vemos como o isolamento e a dor podem tornar alguém quase “transparente” aos olhos dos outros. Já em Viver em Grande, a mensagem é diferente, mas complementar: para ser aceite, não precisamos de nos esconder — precisamos de coragem para ocupar o nosso espaço no mundo.

Na prática clínica, observa-se ainda outro fenómeno: uma crescente dificuldade social das crianças em lidar com os outros. Muitas têm dificuldade em aceitar críticas, em negociar ou fazer concessões, e tendem a rotular de bullying qualquer situação negativa. Nem tudo é bullying. O que o distingue é o medo que provoca, a forma reiterada como acontece e o facto de ter sempre a mesma vítima. Vulgarizar o termo retira-lhe gravidade e, ao fazê-lo, invisibiliza as situações verdadeiramente graves.


Muitas vítimas de bullying passam a acreditar que “o problema está nelas”. Desenvolvem ansiedade, depressão, dificuldades relacionais e, por vezes, carregam esse peso até à vida adulta. Por isso a intervenção precoce é fundamental: identificar sinais, criar espaços de escuta e reforçar o valor único de cada criança e jovem.

O bullying não é um “rito de passagem”. É um problema sério de saúde psicológica e social. Cabe a todos - pais, professores, colegas e comunidade — transformar a escola (e já agora também a vida) em espaços seguros, onde cada um possa ser visto, ouvido e respeitado.

E talvez seja esta a grande lição que Invisible e Viver em Grande deixam: ninguém deve viver escondido no medo. Quando há apoio, empatia e coragem, todos podemos — de facto — viver em grande.

11 setembro 2025

um novo ano letivo: coragem, curiosidade e confiança

 A cada setembro, em cada escola, para cada criança, abre-se um novo capítulo cheio de páginas em branco pronto para ser escrito com novos desafios, bastantes conquistas e alguns falhanços, como convém em todas as aprendizagens.

Este é um momento decisivo para cada criança: elas sãos as protagonistas desta aventura! Desejo que tenham coragem para os desafios, curiosidade para aprender e confiança para acreditar em si mesmas.

Para que esta confiança exista, não se espera que os pais chorem, nem que precisem de tirar dias de férias para ficarem em estado de prontidão. Espera-se que os pais mostrem segurança e firmeza na hora de os acompanharem neste marco. Ir para a escola aprender é uma coisa fantástica! É todo um mundo que se abre e que fica à disposição.

A escola é um meio para chegar a algum lado, não um fim em si mesmo.


O que pensarão os filhos se virem os pais a chorar? Se os sentirem inquietos e nervosos?

Com que confiança olharão eles para a escola ou para os adultos que lá estão?

Na escola ensaiarão as primeiras formas de se posicionarem na sociedade a solo: quererão corresponder ao que o professor espera deles; tentarão ler e decifrar os outros para definirem alianças e rivalidades; testarão a aceitação e a frustração. É na escola que experimentam a vida em sociedade na sua plenitude.

Os filhos não são dos pais, são uma responsabilidade destes, e isso tem muito impacto porque implica prepará-los bem para os desafios, não os viver por eles ou em vez deles.

Deixo-vos um desafio:

·        Ao deixarem o vosso filho na escola no primeiro dia, tirem-lhe uma fotografia bem bonita, à porta da escola;

·        Durante o dia e enquanto a criança estiver na escola, escrevam-lhe uma carta sobre o que desejam para ele nesse ano letivo (evitem o uso de “tipo” e  escrever palavras com k, a menos que seja kiwi);

·        Juntem-lhe a foto e guardem-na bem!

·        No último dia de aulas repitam a operação fotografia;

·        No fim do ano letivo, depois da festa e já em casa, entreguem-lhes a carta e leiam-na em conjunto.

·        Repitam todos os anos

Terão construído ótimas memórias!

Ao longo do ano, os filhos vão tropeçar, levantar-se, rir, chorar, aprender e crescer. Cabe aos pais estarem presentes como porto seguro — firmes, mas com espaço para que sejam os miúdos, os protagonistas da sua própria história.

Que este ano letivo seja feito de aprendizagens, amizades e muitas conquistas!

10 setembro 2025

suicídio: factos e temores

 A Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio em conjunto com a Organização Mundial de Saúde (OMS) instituíram o dia 10 de setembro como Dia  Mundial da Prevenção do Suicídio com o propósito de lembrar que falar sobre este tema salva vidas. Não é um mero marco no calendário, é um convite à reflexão coletiva: quebrar o silêncio, reduzir o estigma e olhar para a saúde mental com a mesma urgência e cuidado com que se olha para a saúde física.

E quando olhamos para os números, percebemos a urgência desta conversa: entre os jovens dos 15 aos 29 anos, o suicídio surge como segunda causa de morte, logo atrás dos acidentes de trânsito — um sinal claro de que cuidar da saúde mental é uma prioridade que não pode esperar.

Estima-se que a taxa de incidência é de cerca de 9,1 por 100.000 habitantes, com os homens a apresentarem uma taxa mais de duas vezes superior à das mulheres.

Este é um tipo de morte que pode ser evitável e todos podemos contribuir ativamente para ajudar alguém em risco. Trata-se de um problema com impacto nas famílias, nas comunidades e na sociedade.

Os pensamentos sobre o suicídio podem afetar qualquer pessoa, de todas as idades e em qualquer momento. Para quem tem ideias de suicídio é provável que exista uma sensação de desesperança e inutilidade há algum tempo. É possível não conseguir identificar o que provocou estas ideias, e isso não tem mal nenhum. Habitualmente é uma combinação de fatores e pode não haver uma causa evidente.

Para uma pessoa com pensamentos suicidas é natural que sinta que não há nada a fazer. Não é verdade. Há a quem pedir ajuda. A Psicologia pode ajudar. Há esperança!

Em Portugal está a funcionar desde hoje uma linha dedicada a esta temática, o número é o 1411 e está disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Falar pode salvar vidas. O silêncio pesa, mas partilhar torna o fardo mais leve.

Conduzir exige prudência. Falar sobre aquilo que sentimos requer coragem — e é essa coragem que tantas vezes falta. Se usamos cinto de segurança para proteger o corpo, porque não haveríamos de procurar ajuda para proteger a mente? Procurar ajuda jamais é um sinal de fraqueza.

Falar sobre saúde mental é falar sobre vida. Se conhece alguém em sofrimento, ofereça presença e escuta; se é consigo, permita-se pedir ajuda. Procurar apoio não é sinal de fraqueza — é sinal de coragem. Há alternativa e há quem esteja disposto a escutar.

 

Se tem pensamentos de suicídio ou pretende ajudar alguém pode contactar:

a Linha SNS 24 – 808242424 | Linha de Prevenção do Suicídio 1411

Em caso de emergência, risco de vida, ligue imediatamente para o 112 do INEM

04 setembro 2025

é dia nacional do Psicólogo





Ser Psicólogo não é ter uma profissão, é ser uma profissão.

Recorrer ao apoio psicológico num momento de vulnerabilidade é um ato de coragem e merece ter acolhimento.

Cada uma das pessoas que se dispõe a confiar em mim é uma responsabilidade e fica comigo para sempre!



03 setembro 2025

Regressos

 regressos

A forma regressos é [masculino plural de regresso].  Origem: latim progressus, -us.

Regresso |é|

(re·gres·so)

nome masculino

1. Acto de regressar. = RETORNO

2. Volta. ≠ IDA

3. Recurso contra alguém.


"regressos", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2025, https://dicionario.priberam.org/regressos.

 

Setembro é o mês dos regressos. Regresso ao trabalho. Regresso à escola. Regresso ao trânsito. Regresso à ditadura do relógio com horas para quase tudo. É o regresso à rotina.

Mesmo para quem não deixou as férias, setembro sabe a começo. Até para quem não esteve de férias, setembro cheira a início.

Setembro tem gosto de excitação de volta a fazer tudo melhor. Não sinto o mesmo com janeiro.

Esta possibilidade que setembro oferece de recomeçar devia ser mais valorizada. É extraordinário a sensação de regressar. Baterias carregadas para voltar ao mesmo sítio ou a outro novo, a novos ou aos mesmos de sempre.

Setembro devia ser o mês 1 do calendário.

Devia ser o mês das resoluções e das listas de coisas a concretizar. Devia e pode!

É melhor ter um plano do que navegar à vista.

Regressar à rotina é uma altura mesmo boa para definir prioridades pessoais e profissionais, para estipular metas e escolher objetivos. É uma altura excelente para fazer escolhas e desenhar o mapa para enfrentar os medos e valorizar o capital interno.

Que desafio é recomeçar!

Que alegria pode ser recomeçar!

28 abril 2025

entre o medo e a esperança


 

Ano 2025

Semana 17/52

Terça-feira, 10h30 é hora de começar a trabalhar.

Antes, houve tempo para o ginásio e um café com vista de mar – pequenos prazeres para iniciar o dia.

Eugénia, 33 anos faz um pedido de marcação.

Falamos ao telefone, acha que precisa de ajuda; não se sente bem, anda inquieta, mas… logo a seguir hesita: “se calhar, não é nada”.

Sinto-a a oscilar entre o estigma e a curiosidade.  O medo de ser "fraca" e a esperança de finalmente ser escutada. Não tem qualquer ideia sobre o que acontece numa sessão de acompanhamento psicológico e ainda menos na primeira.

Este medo do desconhecido é natural. Quando alguém procura apoio psicológico pela primeira vez, raramente sabe o que esperar. Imagina perguntas difíceis, silêncios constrangedores, diagnósticos que talvez não esteja preparado para ouvir.

A verdade é que a primeira sessão é, acima de tudo, um encontro.
Um espaço seguro onde uma estória começa a ser contada — sem pressa, sem obrigação de ter todas as respostas, sem necessidade de saber por onde começar.

Durante essa primeira sessão, conhecemo-nos.

Conversamos sobre o que trouxe o paciente até cá, o que o inquieta, o que deseja transformar.


Definimos juntos vários aspetos importantes: a duração e a periodicidade das sessões, e é pensado pelo psicólogo uma primeira hipótese terapêutica — uma bússola inicial para o caminho que se vai traçar.

Em média, cada sessão tem a duração de 45 minutos — o tempo ideal para manter o foco e permitir um trabalho profundo, sem ser exaustivo.


A periodicidade recomendada é semanal. É entre uma sessão e outra que acontece o processo mais silencioso e poderoso da mudança: o momento em que o psicólogo passa como que a habitar na cabeça do paciente. Quanto maior for o intervalo entre sessões, mais diluído se torna esse trabalho interno.

A primeira sessão não resolve tudo. Mas é onde algo muda: o silêncio começa a ter voz, o medo encontra espaço para ser olhado e a esperança, timidamente, acorda.

A Eugénia começará o seu trabalho terapêutico a 05 maio.

17 abril 2025

a maior dificuldade não é marcar. é aparecer.

 

Ano 2025

Semana 16/52

A semana prevê-se curta, tem feriado na sexta que para muitos começa logo na quinta, depois do almoço. Aproveitando as férias escolares, eu estou fora. Organizei a agenda para trabalhar segunda e quarta.

Contra todas as expectativas, no final da manhã de segunda… zás! Assim num tirinho surgem três marcações na agenda digital! É impossível não sorrir quando isto acontece. É que não é uma, nem duas, são três. Fantástico! Único senão: são justamente para os dias em que não trabalho. Num ápice, organizo tudo e confirmo as marcações para terça-feira.

Porque sim - é difícil resistir a esse entusiasmo de quem decide cuidar de si.

O curioso vem depois. Na terça-feira, pelas 9h, lá estava eu pronta para uma nova viagem, um novo processo de autoconhecimento e… nada. Aguardo. E mais um pouco. Dez minutos depois da hora agendada mando uma mensagem. Como resposta: o silêncio.

Do lado de cá, a frustração ganha forma. Organizei tudo, mexi horários, revi o plano da semana. Escolheu-me - mas afinal, foi engano?

Paro. Respiro fundo. Porque eu sei como funciona.

Eu sei que, para muitos, a maior dificuldade não é marcar. É aparecer. É permitir-se ser visto, ouvido, acolhido — e, às vezes, até confrontado com o que sente. Isso assusta. Assusta muito.

A ciência psicológica ajuda-nos a compreender esta dificuldade.
Entre o impulso de marcar e a decisão de comparecer, o cérebro atravessa uma tensão interna conhecida como dissonância cognitiva — um desconforto que surge quando os desejos entram em conflito com os medos.

Ao marcar uma consulta, existe o desejo de mudança. Mas, ao mesmo tempo, surgem pensamentos que desafiam esse impulso: “E se não souber o que dizer?”, “E se me descontrolo?”, “E se me julgarem?”

Estes pensamentos são formas de resistência psíquica, mecanismos inconscientes de defesa que o ego utiliza para evitar o contacto com conteúdos internos dolorosos.
Além disso, o próprio cérebro — especialmente o sistema límbico, que gere as emoções e o medo — pode reagir à ideia de exposição emocional como se fosse uma ameaça real, levando ao evitamento.

Marcar é racional. Ir é emocional. E nem sempre as duas partes da mente caminham ao mesmo ritmo.

Marcar, muitas vezes é um impulso — aquele momento em que algo dentro de nós diz: “Chega. Preciso de ajuda.”

Aparecer... aparecer é muito mais que isso. É reconhecer que se está em sofrimento. É admitir, nem que seja em silêncio, que não se consegue sozinho. E isso, chega a pesar mais do que qualquer sintoma.

E a vergonha? Essa safada…

E depois há o medo de ser fraco, de parecer perdido, de não saber explicar o que se sente.

Instala-se a dúvida… entre cuidar-se ou calar-se. Entre dar o passo ou voltar atrás. Entre ir ou não ir.

Como psicóloga, tenho constatado que não é sobre insistir. É sobre esperar com escuta.


Às vezes voltam. Às vezes não. Mas cada marcação é já um ato de coragem. Mesmo quando não dá para aparecer.

Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. É sinal de querer encontrar o caminho.

E se não for hoje, não tem problema. Quando for, cá estarei.

05 junho 2024

vou. não vou.

 Vou. Não vou. Preciso. Não preciso. Vou. Não vou.

Muitas são as razões para iniciar o acompanhamento psicológico. Cada um tem as suas. Todas diferentes, todas importantes, todas válidas.

Vou. Não vou. Preciso. Não preciso. Vou. Não vou.

A dúvida instala-se e alimenta-se da vergonha de parecer fraco, do rótulo de se ser maluco quando afinal até nem se está assim tão mal da cabeça. Nela (na cabeça) ecoa: "eu consigo"; "eu sou forte"; "psicólogos são para malucos ou então para os fracos que não conseguem tomar conta de si".

Vou. Não vou. Preciso. Não Preciso. Vou. Não vou.


Quando se tem uma dor de dentes, ninguém pensa: "eu consigo resolver, não preciso do dentista". Quando se começa a ver mal, ninguém pensa: "eu consigo resolver, não preciso do oftalmologista". Quando se tem um problema em tribunal, ninguém pensa: "eu consigo resolver, não preciso do advogado". Então, porque é que sobre o mal estar psicológico haveremos de achar que temos obrigação de tratar do assunto sem um profissional?

Vou. Não vou. Preciso. Não preciso. Vou. Não vou.

Derrubado o muro, abre-se todo um mundo de novas oportunidades. Escolhido o Psicólogo, começa a viagem!

Durante o processo terapêutico a transformação é lenta e subtil. De dentro para fora. E é mesmo assim que deve ser.


Primeiro, muda-se por dentro: mudam os pensamentos (menos pessimistas, menos catastróficos), mudam as emoções (as mais dolorosas dão lugar a outras mais adaptativas), são feitas descobertas (aceitamo-nos melhor a nós e aos outros tal como são e não como gostaríamos que fossem). Depois, só depois se muda por fora: nota-se outra serenidade, uma certa capacidade de tomar decisões e de viver com as consequências dessas escolhas, um posicionamento mais adaptado face aos outros, uma certa noção de limites, enfim uma transformação significativa no bem estar!



Vou. Não vou. Preciso. Não Preciso. Vou!

30 abril 2024

psicologia: um Farol

Durante muitos séculos a noção de psicológico era vaga e estava intimamente ligada a noções mágico-religiosas; a doença mental era associada a divindades e espíritos, por isso qualquer ideia ainda que longínqua ou ambígua de tratamento dirigia-se especificamente a quem sofria de doença. Houve uma evolução para uma perspectiva de saúde em que o que se torna relevante e central como objeto de intervenção é a busca ativa de estados de maior equilíbrio e bem-estar.

Considera-se pois, a partir de uma certa altura, que a intervenção psicológica deixou de ser apenas um tratamento das perturbações mentais e passou a ser vista como métodos (no plural, sim porque há vários) de trabalho sobre si mesmo, como desenvolvimento pessoal, como uma forma de lidar com as situações difíceis da vida, como uma metodologia para garantir uma melhor qualidade de vida, um maior bem-estar, quando não mesmo um dos caminhos possíveis, e eventualmente mais acessíveis, para uma desejada felicidade.

Este processo funciona porque existe uma relação de confiança, apesar de assimétrica assente no facto do psicólogo não fazer parte do quadro relacional habitual; centrada no paciente e com um racional teórico sobre si mesmo e sobre o mundo que tende necessariamente a melhorar a congruência, a autoestima e a relação com os outros.

A intervenção psicológica está fundamentada na ciência, engloba diversas abordagens adaptadas às necessidades individuais recorrendo a pesquisas e evidências rigorosas. É mais do que simples tratamento, é um farol para aqueles que navegam no labirinto da mente e do comportamento humano.

29 abril 2024

um desafio de MUDANÇA


 

Olá!

O meu nome é Joana Melo da Silva, sou licenciada em Psicologia pela Universidade Lusófona com especialização em Psicologia Clínica e da Saúde pela OPP (CP: 016298).

Trabalhei durante 25 anos no setor social e agora decidir dar primazia à Psicologia. 

O recurso ao processo terapêutico para lidar com diferentes formas de dor, sofrimento ou desadaptação em contextos muito variados, tem desafiado o engenho e a arte dos psicólogos, e eu estava cheia de vontade de participar.

Proponho atendimento com garantia de confidencialidade e conforto.

Ambiciono criar um ambiente terapêutico onde se sinta confortável para expressar tudo o que sente, sem medo de julgamentos. O espaço terapêutico deve ser sentido como um lugar seguro. No espaço terapêutico, cria-se uma relação entre o paciente e o psicólogo e lá, cabe tudo: cabem medos, cabem sonhos, cabem inseguranças, cabem tristezas, cabem mudanças, cabem recuos, cabem dúvidas, cabem conquistas. Cabe o paciente inteiro!

Acredito que cada um é especialista da sua própria transformação e trabalharei colaborativamente para identificar e alcançar os objetivos terapêuticos de cada um.

Proponho uma abordagem cientificamente validada e eficaz, afinal psicologia é ciência com evidência. Desenvolveremos uma relação terapêutica que garanta que permanece neste processo exclusivamente apenas o tempo necessário para atingir os seus objetivos de tratamento.

Estou entusiasmada para colaborar no processo de cada um!

pozinhos de perlim, pim, pim...